{"id":98,"date":"2020-07-29T17:16:19","date_gmt":"2020-07-29T20:16:19","guid":{"rendered":"http:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/?p=98"},"modified":"2020-08-12T01:21:00","modified_gmt":"2020-08-12T04:21:00","slug":"apadopousoalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/apadopousoalto\/","title":{"rendered":"APA do Pouso Alto"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>A \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental &#8211; APA do Pouso Alto &#8211; Chapada dos Veadeiros, Goi\u00e1s &#8211; representa uma das mais importantes \u00e1reas para a conserva\u00e7\u00e3o do Cerrado no Brasil, al\u00e9m de toda a sua import\u00e2ncia natural, guarda um rico patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural ainda pouco estudado e observado do ponto de vista dos grupos origin\u00e1rios dessa regi\u00e3o. Infelizmente nossos povos ind\u00edgenas foram dizimados e pouco se sabe sobre eles, apenas um pequeno grupo removido para a Reserva Ind\u00edgena Av\u00e1 Canoeiros. Por\u00e9m, o processo de ocupa\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio oferece um singular contexto para o nosso entendimento atual, como muito bem conceituou o historiador Paulo Bertran na defini\u00e7\u00e3o do Homem Cerratense.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o da Chapada dos Veadeiros transpassa o territ\u00f3rio da APA do Pouso Alto e \u00e9 um ber\u00e7o de nossa civiliza\u00e7\u00e3o e contribuiu em muito para a forma\u00e7\u00e3o do DNA do Homem Cerratense, desde os mestres da cultura tradicional ou a juventude contempor\u00e2nea. Mas antes de aprofundarmos a import\u00e2ncia da APA do Pouso Alto, vamos entender esse nome e porque Pouso Alto \u00e9 uma chave para compreender a nossa regi\u00e3o. A Pouso Alto \u00e9 a regi\u00e3o mais alta do Planalto Central e, talvez, o cora\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros sendo o seu cume o divisor de \u00e1guas das bacias hidrogr\u00e1ficas Tocantins e Paran\u00e3. Ali est\u00e3o as primeiras nascentes do Rio Preto, Rio das Almas, C\u00f3rrego Santana, Rio dos Couros, Rio de Pedras e C\u00f3rrego das Cobras. Em tempos antigos o Pouso Alto era o ponto de pernoite dos tropeiros e viajantes ainda do Brasil Col\u00f4nia. O antigo caminho para Cavalcante era feito por ali, local de vento forte e frio, e o Cruzeiro era por onde passava a antiga rota que vertia para a bacia do Rio de Pedras.<\/p>\n<p>Cavalcante \u00e9 o munic\u00edpio formador da Chapada dos Veadeiros e, consequentemente, tem um papel fundamental para a APA do Pouso Alto, com uma rica hist\u00f3ria ligada ao processo de explora\u00e7\u00e3o do ouro e tamb\u00e9m da interioriza\u00e7\u00e3o do Brasil. O munic\u00edpio concentra todo o processo de miscigena\u00e7\u00e3o dos povos do Cerrado brasileiro. Aqui ind\u00edgenas, negros africanos e o europeu, criaram suas din\u00e2micas em fun\u00e7\u00e3o da vida no Bioma Cerrado. \u00c9 not\u00f3rio que nessa hist\u00f3ria h\u00e1 muita luta, resist\u00eancia e epis\u00f3dios que nos trazem \u00e0 luz o contexto atual, de desigualdade e press\u00e3o sobre as comunidades tradicionais, aos pequenos agricultores e ainda na elimina\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. \u00c9 aqui que est\u00e1 o maior Quilombo do Brasil em extens\u00e3o territorial, o S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural Kalunga e ainda a maior por\u00e7\u00e3o de Cerrado ainda conservado do Brasil Central. Tudo isso, fruto de um processo de quase 300 anos.<\/p>\n<p>Na atualidade o que se observa, \u00e9 uma nova corrida do &#8220;ouro&#8221;: de um lado pessoas buscando um novo meio de vida baseado na sustentabilidade e nos recursos naturais preservados, dentre esses o turismo, e por outro, as frentes agr\u00edcolas e de minera\u00e7\u00e3o que ainda se utilizam de m\u00e9todos antigos para o convencimento, explora\u00e7\u00e3o e supress\u00e3o das comunidades tradicionais, quilombolas, pequenos agricultores e do bioma Cerrado. De ambos os lados nota-se que h\u00e1 oportunidades e desafios para manter o que h\u00e1 de mais sagrado para os povos origin\u00e1rios, a sua cultura e o seu direito de prosperar com dignidade mantendo a sabedoria e o conhecimento tradicional ancestral em suas terras. Gerar base para um desenvolvimento que seja justo e oportuno para as pessoas que realmente tem tido sabedoria para lidar com o campo e evitar novos problemas sociais.<\/p>\n<p>Infelizmente isso ocorre por aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e pelo esquecimento do Estado e dos governos para esse territ\u00f3rio, que sempre foi palco de disputas. A regi\u00e3o ainda carece de uma base de sustenta\u00e7\u00e3o que garanta seus principais ativos para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O planeta passa por um momento sem precedentes para a vida humana. A Pandemia trouxe n\u00e3o apenas uma reflex\u00e3o de como nossos sistemas s\u00e3o desiguais e est\u00e3o fracassados para a grande parcela da humanidade, mas sobretudo, a necessidade de um processo de resili\u00eancia e mudan\u00e7as para uma vida mais justa, saud\u00e1vel e melhor para o futuro. Assim, \u00e9 importante que territ\u00f3rios como a APA do Pouso Alto, a Chapada dos Veadeiros e Cavalcante, sejam exemplos dessa resili\u00eancia e estejam como pauta central para essa nova agenda para a vida do ser humano. Apesar dos problemas serem ainda antigos, temos tecnologia e estudos contempor\u00e2neos que nos permitem acreditar que \u00e9 poss\u00edvel um desenvolvimento de fato sustent\u00e1vel, bastando que as pessoas tenham voz ativa e, principalmente, que as esferas p\u00fablicas tenham capacidade de efetivamente colocar esfor\u00e7os para essa nova agenda dos verdadeiros valores da vida. E que o desenvolvimento n\u00e3o seja sin\u00f4nimo de desmatamento e perdas dos nossos principais ativos regionais. \u00c9 preciso que a conserva\u00e7\u00e3o do Cerrado seja monetizada com base em seus ativos gen\u00e9ticos, aos frutos, aos estudos da biomedicina e farmacologia, a conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o das nascentes, a conserva\u00e7\u00e3o da paisagem e ao uso geol\u00f3gico com alto valor agregado com o m\u00ednimo impacto e ainda avan\u00e7ar nas pol\u00edticas de incentivo \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o dos ativos ambientais preservados e, principalmente, para a cultura do homem cerratense.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<h1>Jo\u00e3o Bittencourt Lino<\/h1>\n<p>Formado em Turismo, Universidade Alves Faria &#8211; GO<\/p>\n<p>Foi Secret\u00e1rio de Turismo de Cavalcante, Gerente de Projetos e Pesquisas Tur\u00edsticas e Diretor de Desenvolvimento Tur\u00edstico da Ag\u00eancia Estadual de Turismo de Goi\u00e1s, Consultor da UNESCO para o Minist\u00e9rio do Turismo, e participou de diversas coopera\u00e7\u00f5es internacionais, com a Uni\u00e3o Europeia, Fran\u00e7a, Mo\u00e7ambique e EUA. Tem atuado no Turismo de Base Comunit\u00e1ria para o S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural Kalunga e Diretor da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2020-07-23-at-8.51.49-PM.jpeg&#8221; _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental &#8211; APA do Pouso Alto &#8211; Chapada dos Veadeiros, Goi\u00e1s &#8211; representa uma das mais importantes \u00e1reas para a conserva\u00e7\u00e3o do Cerrado no Brasil, al\u00e9m de toda a sua import\u00e2ncia natural, guarda um rico patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural ainda pouco estudado e observado do ponto de vista dos grupos origin\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":101,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-98","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}