{"id":41,"date":"2020-05-05T00:37:26","date_gmt":"2020-05-05T03:37:26","guid":{"rendered":"http:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/?p=41"},"modified":"2020-05-05T00:50:38","modified_gmt":"2020-05-05T03:50:38","slug":"ecovilas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aldeiasinstitute.net\/2020\/ecovilas\/","title":{"rendered":"Ecovilas: um movimento global"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243; custom_padding=&#8221;0px|||||&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243; custom_padding=&#8221;0px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Text&#8221; _builder_version=&#8221;4.0.5&#8243;]Por Rebeca Roysen<\/p>\n<p>As ecovilas s\u00e3o comunidades intencionais sustent\u00e1veis formadas por grupos de pessoas que se unem para criar um estilo de vida de baixo impacto ambiental e rela\u00e7\u00f5es interpessoais mais cooperativas e solid\u00e1rias (Roysen &amp; Mertens, 2016).<\/p>\n<p>A vida em uma ecovila baseia-se em tr\u00eas dimens\u00f5es interligadas: ecol\u00f3gica, social\/comunit\u00e1ria e cultural\/espiritual.<br \/>\nA dimens\u00e3o ecol\u00f3gica se manifesta em pr\u00e1ticas locais sustent\u00e1veis, tais como bioconstru\u00e7\u00e3o, permacultura e tratamento ecol\u00f3gico dos res\u00edduos dom\u00e9sticos (Swilling &amp; Annecke, 2006; Veteto &amp; Lockyer, 2008).<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o social\/ comunit\u00e1ria corresponde ao desejo das pessoas de constru\u00edrem relacionamentos de confian\u00e7a e ajuda m\u00fatua e se manifesta em pr\u00e1ticas de partilha emocional, tomada de decis\u00e3o por consenso ou consentimento, almo\u00e7os comunit\u00e1rios, entre outros (Christian, 2007; Kirby, 2003; Kunze, 2015b; Loezer, 2011; Roysen &amp; Mertens, 2019).<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o social\/ comunit\u00e1ria tamb\u00e9m inclui pr\u00e1ticas de compartilhamento de espa\u00e7os, ferramentas e trabalhos.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o cultural\/ espiritual, embora varie muito de grupo para grupo, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que a busca pelo autoconhecimento, a mudan\u00e7a de valores e a tomada de consci\u00eancia s\u00e3o parte indissoci\u00e1vel do caminho para a sustentabilidade (Roysen, 2018). Essa dimens\u00e3o se expressa em pr\u00e1ticas meditativas, rituais e pr\u00e1ticas espirituais (Caravita, 2012; Kasper, 2008).<\/p>\n<p>As ecovilas s\u00e3o descritas na literatura acad\u00eamica como \u201cnichos de inova\u00e7\u00e3o social de base\u201d (Boyer, 2015; Roysen &amp; Mertens, 2019), como \u201cincubadoras de inova\u00e7\u00f5es sociais\u201d (Kunze, 2015a), como \u201claborat\u00f3rios vivos\u201d (Santos-J\u00fanior, 2016), como \u201ccentros demonstrativos\u201d em pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis (Salazar, 2013) e como um \u201cparadigma alternativo de desenvolvimento\u201d (Veteto &amp; Lockyer, 2008). Isso porque as ecovilas desenvolvem pr\u00e1ticas alternativas em diversas dimens\u00f5es da vida cotidiana: na constru\u00e7\u00e3o, no plantio, na alimenta\u00e7\u00e3o, no transporte, nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e na tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seu estudo sobre a ecovila norte-americana Dancing Rabbit, por exemplo, Boyer (2016) afirma que a ecovila consome menos de 10% do consumo m\u00e9dio de um norte-americano, em diversas categorias de consumo. Outro estudo recente sobre ecovilas nos EUA demonstram que seu modo de vida promove um impacto ambiental entre 47% e 80% menor do que o impacto de um norte-americano m\u00e9dio (Sherry 2019). Grande parte dessa redu\u00e7\u00e3o do impacto ambiental se d\u00e1 por meio da integra\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis diversas e pelo compartilhamento organizado de recursos, tais como carros compartilhados, almo\u00e7os coletivos, etc. No Brasil, ao aplicar onze Indicadores de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (IDS) estabelecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) \u00e0s ecovilas brasileiras, Belleze, Bernardes, Pimenta, &amp; J\u00fanior (2017) descobriram que as ecovilas apresentam melhores desempenhos em todos os IDS apresentados, em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o brasileira, com exce\u00e7\u00e3o do indicador de participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis de energia, o qual n\u00e3o p\u00f4de ser calculado devido \u00e0 falta de dados precisos.<\/p>\n<p>As ecovilas est\u00e3o presentes em todos os continentes do planeta, e est\u00e3o conectadas por meio da Rede Global de Ecovilas (Global Ecovillage Network \u2013 GEN), que abarca mais de 6.000 comunidades em 114 pa\u00edses (GEN, n.d.).<\/p>\n<p>A GEN constr\u00f3i pontes entre pol\u00edticas p\u00fablicas, governos, ONGs, academia, empreendedores, ativistas, redes comunit\u00e1rias e ambientalistas de todo o mundo para criar estrat\u00e9gias para uma transi\u00e7\u00e3o global na dire\u00e7\u00e3o de comunidades e culturas resilientes e regenerativas (www.ecovillage.org). Hoje, a GEN tem status consultivo no Conselho Econ\u00f4mico e Social da ONU e \u00e9 parceira da UNITAR (Instituto das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Treinamento e Pesquisa). Em 1998, as ecovilas foram inclu\u00eddas entre os \u201cmodelos de vida sustent\u00e1vel\u201d pelo Programa Habitat da ONU.<\/p>\n<p>Durante a COP-25, a confer\u00eancia do clima da ONU, a GEN assinou a aprofundou acordos com a Gambia, Serra Leoa, Sud\u00e3o, Lib\u00e9ria e Burkina Faso para a implementa\u00e7\u00e3o nacional de programas de desenvolvimento de ecovilas, ampliando a rede de projetos globais em busca da transi\u00e7\u00e3o e de um futuro regenerativo.<\/p>\n<p>O bra\u00e7o da GEN na Am\u00e9rica Latina \u00e9 o Conselho de Assentamentos Sustent\u00e1veis da Am\u00e9rica Latina (CASA Latina), que conecta iniciativas rurais, tais como ecovilas e outras comunidades intencionais e tradicionais; urbanas, tais como ecobairros e cidades em transi\u00e7\u00e3o; n\u00f4mades, tais como ecocaravanas e chaskis (viajantes que passam por diversas ecovilas levando informa\u00e7\u00f5es e conhecimento); educativas, tais como institutos de permacultura e ecopedagogia; jovens e redes, ONGs e cooperativas que trabalham com sustentabilidade (redcasalatina.org). No Brasil, a rede CASA Brasil est\u00e1 se estruturando. Ainda sem site, a rede brasileira pode ser acessada via Facebook (https:\/\/www.facebook.com\/assentamentossustentaveis\/).<\/p>\n<p>As ecovilas brasileiras t\u00eam seguido a tend\u00eancia mundial de sair do isolamento e ampliar o di\u00e1logo com atores externos, incluindo atores governamentais e a atua\u00e7\u00e3o em conselhos de pol\u00edticas p\u00fablicas (Roysen &amp; Mertens, 2017). Cresce cada vez mais o n\u00famero de iniciativas, estudos acad\u00eamicos, visitantes e interessados em ecovilas e estilos de vida mais colaborativos e sustent\u00e1veis no Brasil. Dessa forma, o fortalecimento do CASA Brasil, enquanto rede nacional, torna-se important\u00edssimo para facilitar o fluxo de comunica\u00e7\u00e3o entre as ecovilas e outras iniciativas sustent\u00e1veis, agregar conhecimentos e experi\u00eancias e difundir esses conhecimentos para o p\u00fablico mais amplo. Al\u00e9m disso, uma rede nacional de ecovilas fortalecida \u00e9 um passo necess\u00e1rio para se ampliar o di\u00e1logo entre ecovilas e atores pol\u00edticos em n\u00edvel nacional, de forma a institucionalizar as ecovilas em projetos e programas p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O movimento das ecovilas apresenta uma linda trajet\u00f3ria de aprendizados e conquistas. Entretanto, diante do aprofundamento da crise socioambiental global, precisamos continuar e intensificar esse trabalho de pesquisa e difus\u00e3o de novas alternativas de vida para a sociedade. Para isso, podemos contar com uma rede global de pessoas e iniciativas que sustentam essa energia, que se apoiam mutuamente e que formam uma grande fam\u00edlia global. Venha fazer parte dessa fam\u00edlia tamb\u00e9m!<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancias:<\/em><br \/>\n<em>Belleze, G., Bernardes, M. E. C., Pimenta, C. A. M., &amp; J\u00fanior, P. C. N. (2017). Ecovilas brasileiras e indicadores de desenvolvimento sustent\u00e1vel do IBGE: uma an\u00e1lise comparativa. Ambiente &amp; Sociedade, XX(1), 227\u2013244.<\/em><br \/>\n<em>Boyer, R. (2015). Grassroots innovation for urban sustainability: Comparing the diffusion pathways of three ecovillage projects. Environment and Planning A, 47(2), 320\u2013337.<\/em><br \/>\n<em>Caravita, R. I. (2012). \u201cSomos todos um\u201d: vida e iman\u00eancia no movimento comunit\u00e1rio alternativo. Universidade Estadual de Campinas.<\/em><br \/>\n<em>Christian, D. L. (2007). Starting a new ecovillage: \u2018structural conflict\u2019 &amp; nine ways to resolve it. In JOUBERT &amp; ALFRED (Eds.), Beyond you and me: inspirations and wisdom for building community (pp. 49\u201357). Hampshire: Permanent Publications.<\/em><br \/>\n<em>GEN, G. E. N. (n.d.). What is an Ecovillage? Retrieved November 21, 2015, from http:\/\/gen.ecovillage.org\/en\/article\/what-ecovillage<\/em><br \/>\n<em>Kasper, D. V. S. (2008). Redefining community in the ecovillage. Human Ecology Review, 15(1), 12\u201324. https:\/\/doi.org\/10.1080\/00201740903302584<\/em><br \/>\n<em>Kirby, A. (2003). Redefining social and environmental relations at the ecovillage at Ithaca: A case study. Journal of Environmental Psychology, 23(3), 323\u2013332. https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0272-4944(03)00025-2<\/em><br \/>\n<em>Kunze, I. (2015a). Ecovillages: isolated islands or multipliers of social innovations? Retrieved November 10, 2015, from http:\/\/www.transitsocialinnovation.eu\/blog\/ecovillages-isolated-islands-or-multipliers-of-social-innovations?utm_source=subscribers&amp;utm_campaign=640b37d940-TRANSIT_Newsletter_November_201511_2_2015&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_d7f7bd8502-640b37d940-2644933<\/em><br \/>\n<em>Kunze, I. (2015b). Transformative Social Innovation Narrative of the Ecovillage of Schloss Tempelhof ( TH ). TRANSIT: EU SSH.2013.3.2-1 Grant Agreement No: 613169, (613169).<\/em><br \/>\n<em>Loezer, L. (2011). Enhancing Sustainability at the Community Level: Lessons from American EcoVillages. Retrieved from https:\/\/etd.ohiolink.edu\/ap:10:0:::10:P10_ACCESSION_NUM:ucin1321368949<\/em><br \/>\n<em>Roysen, R. (2018). Desenvolvimento e difus\u00e3o de pr\u00e1ticas sociais sustent\u00e1veis no nicho das ecovilas no Brasil: o papel das rela\u00e7\u00f5es sociais e dos elementos das pr\u00e1ticas. Universidade de Bras\u00edlia.<\/em><br \/>\n<em>Roysen, R., &amp; Mertens, F. (2016). Difus\u00e3o de pr\u00e1ticas sociais sustent\u00e1veis em nichos de inova\u00e7\u00e3o social de base: o caso do movimento das ecovilas. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 39, 275\u2013295. https:\/\/doi.org\/10.5380\/dma.v39i0.46673<\/em><br \/>\n<em>Roysen, R., &amp; Mertens, F. (2017). O Nicho das Ecovilas no Brasil: Comunidades isoladas ou em di\u00e1logo com a sociedade? Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science, 6(3), 99\u2013121. https:\/\/doi.org\/http:\/\/dx.doi.org\/10.21664\/2238-8869.2017v6i3.p99-121<\/em><br \/>\n<em>Roysen, R., &amp; Mertens, F. (2019). New normalities in grassroots innovations\u202f: The recon fi guration and normalization of social practices in an ecovillage d e. Journal of Cleaner Production, 236, 8. https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jclepro.2019.117647<\/em><br \/>\n<em>Salazar, C. A. P. (2013). Participaci\u00f3n y acci\u00f3n colectiva en los movimientos globales de ecoaldeas y permacultura. Revista Latinoamericana de Psicologia, 45(3), 401\u2013413. https:\/\/doi.org\/10.14349\/rlp.v45i3.1482<\/em><br \/>\n<em>Santos-J\u00fanior, S. J. (2016). Zelosamente habitando a Terra: ecovilas genu\u00ednas, espa\u00e7o geogr\u00e1fico e a constru\u00e7\u00e3o de lugares zelosos em contextos contempor\u00e2neos de fronteiras paradigm\u00e1ticas. Universidade Federal da Bahia.<\/em><br \/>\n<em>Swilling, M., &amp; Annecke, E. (2006). Building sustainable neighbourhoods in South Africa: learning from the Lynedoch case. Environment and Urbanization, 18(2), 315\u2013332. https:\/\/doi.org\/10.1177\/0956247806069606<\/em><br \/>\n<em>Veteto, J. R., &amp; Lockyer, J. (2008). Environmental Anthropology Engaging Permaculture\u202f: Moving Theory and Practice Toward Sustainability. Agriculture, 30(1\u20132), 47\u201358. https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1556-486X.2008.00007.x.ven<\/em>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rebeca Roysen As ecovilas s\u00e3o comunidades intencionais sustent\u00e1veis formadas por grupos de pessoas que se unem para criar um estilo de vida de baixo impacto ambiental e rela\u00e7\u00f5es interpessoais mais cooperativas e solid\u00e1rias (Roysen &amp; Mertens, 2016). 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